Ontem fui ao cinema.
Por Nilsa Maria de Souza
Ontem resolvi ir ao cinema. Fui ver um filme não muito comercial. É. Acho que era um filme cult (?). Antes, porém resolvi comer um doce. Entrei em um supermercado. Era o mais próximo de doçaria que existia perto do cinema. Entrei, vasculhei e saí de lá com uns brigadeiros. Comi dois. Somente dois. Fui rapidinho para o cinema, pois queria tomar um café antes de entrar. Afinal, eu havia acabado de almoçar, ou seja, eu estava necessitando de um café para me manter acordada. Consegui! Tomei o café depois de comprar o impresso – meia entrada, é claro. Fui ao toalete e depois à sala de exibição. Pareceu-me que eu estava realmente atrasada, visto que o responsável por recolher os ingressos já estava executando outra função: recolher o lixo.
Entrei! Estava um breu! Não conseguia enxergar nada! Não quis me arriscar! Fiquei em pé por um tempo até que minhas vistas se acostumarem ao escuro. Pronto. Agora dá. Fui sentar. Uma senhora que estava em pé – pelo visto acostumando as vistas – me disse que o lugar estava ocupado, e que estava guardando o lugar. Tudo bem vou para outro lugar. Nisso quase sou atropela por duas senhoras que adentravam à sala. Elas conversavam tanto que na certa esqueceram de acostumar a vista. Eu, que não sou boba, escolhi, para sentar, um lugar três fileiras à frente das tagarelas. Sentei. Agora é só relaxar e assistir o filme, argentino, diga-se de passagem. O filme começou. E as tagarelas? Continuam a tagarelar. Não tardou para... Xiiiiiiiii! Xiiiiiiiiiiii! Xiiiiiiiiiiiiiiiiii! E a tagarelice continua. Cala a boca! Vai conversar lá fora! Lugar de conversa é lá fora! Vai conversar no sofá da sua casa! Depois de tudo isso, ficaram em silêncio. Vamos ao filme. Espanhol vai, espanhol vem...Lá pelo meio do filme percebo que o velhinho que está ao meu lado esquerdo, dorme. Dorme profundamente. Dorme com os anjos. Que bonitinho! De repente eu, ele e todos os outros, fomos interrompidos dos nossos transes, sono, ou sei lá o que. A campainha de um celular rompia o silêncio da sala. Trimmmm! Trimmmm! Trimmmm! Calmamente o mesmo velhinho que estava ao meu lado abre sua pochete (pois é! Ele estava de pochete!), retira o celular – agora o som está muito mais alto – e atende, em meio a protestos... Desliga isso! Desliga essa droga! Vai atender lá fora! Alô! – pausa – Muito obrigado! – pausa – Eu estou no cinema. – pausa – No cinema da Fradique. – pausa – Desliga essa porcaria! Aqui não é lugar de atender telefone! Queremos ver o filme! – Estou bem, obrigado! – pausa – Mas eu não sei quem está falando. – pausa – Cala a boca!... - Ou seja, passamos por toda confusão de novo. E o velhinho? O velhinho, nem se deu conta. Acho mesmo que ele nem percebeu que estava no cinema. Acho que pensou que estar no sofá da casa dele. E o filme não para. Continua rolando. Se é que vocês me entendem! - Ah! É você? – pausa – Ta bom! – pausa - Tchau! – pausa – Pra você também! Pausa final. A essa altura o cinema estava abaixo. Todo mundo reivindicando silêncio, porém ninguém fazia silêncio. Diante desse tumulto o jeito era tentar entender o filme. Espanhol que veio, espanhol que foi... Pra falar a verdade não sei se cochilei junto com o velhinho ou se perdi muito do filme nessas confusões, só sei que no momento do ápice o filme acabou. Ou melhor, será que o filme acabou no momento do ápice, ou eu não vi o ápice. Definitivamente não sei. Sá sei que ainda bem que paguei meia entrada, já que vi meio filme.
Escrito por Nilsa M. Souza às 12h00
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