Nada.
Por Nilsa Maria de Souza
Olhando para aquele telhado não percebemos qual a diferença entre ele e os outros, a não ser por algumas marcas, já meio apagadas pelo tempo e pela chuva, de uns sinais. Sinais difíceis de identificar. Só mesmo um olhar mais atento para perceber que estes sinais são marcas das patas de um felino.
Foi em um dia chuvoso, estávamos em casa vendo um filme na TV quando de repente ouvimos um estrondo seguido de vários miados e outro estrondo. Foi assustador. Em sobressalto levantamos e corremos em direção ao barulho. Quando chegamos havia somente o silêncio constrangedor. Olhamo-nos durante alguns segundos, que pareceram uma eternidade e então nos demos conta de que Pingo d’água se fora.
Desde então a casa ficou triste e silenciosa, só restou a lembrança e as marcas no telhado que logo desaparecerão. Até hoje o silêncio ainda reina. Às vezes tenho a nítida certeza de que estou ouvindo seus miados pela casa. Corro para o quarto com a certeza de que vou encontrá-lo em cima da cama. Mas ao chegar no quarto me deparo com o vazio, com o nada que insiste em tomar o lugar dele. A lembrança da sua indiferença me comove. E eu volto triste mais uma vez para os meus afazeres. Penso que um dia quem sabe ele voltará, pois certamente está a fazer alguém feliz. Num canto qualquer, num lugar qualquer ele sabe que o seu lugar perto de mim está reservado. Momentaneamente eu esqueço. E adormeço.
Escrito por Nilsa M. Souza às 14h58
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