Quem vê cara, não vê coração.
Por Nilsa Maria de Souza
6:00horas da manhã. Meu relógio desperta. Ou melhor: me desperta! "Não acredito! Já tá na hora de levantar?" O relógio continua tocando, tocando, tocando... Bem não tem outro jeito, o negócio é levantar. Abri os olhos...
- Xiiiiiii! Hoje é terça-feira! – Pulei da cama.
Todo mundo tem síndrome de segunda-feira, mas eu não. Meu problema é a terça-feira! Terça-feira é a concretização de uma semana que pode ser igual a anterior e igual a semana que vai chegar, ou seja, cansativa e cheeeeeia de trabalho. Síndrome de terça-feira! Pode!
Sentei-me na cama. "Quem dera eu pudesse deitar de novo e dormir. Dormir até quando não agüentasse mais. Sem ter aquele relógio barulhento tocando e fazendo zunir a minha cabeça."
Fiquei em pé e quase que tateando comecei o meu roteiro de preparação para sair para mais um dia de trabalho. (lêlê, lêlê, lêlê, lêlê, lêlê...) (Que original)
Depois de algumas horas, tudo pronto. Fechei a porta e sai. Encaminhei-me para o ponto de táxi (estava sem carro neste dia, justo neste dia).
- Droga! Nenhum táxi! E agora?
Demorei um pouco para colocar o meu pensamento em ordem!
- Ah! Já sei.
Eu estava numa avenida era só erguer o braço e um táxi pararia. Perfeito! O táxi parou.
Abri a porta e entrei. "Hum! Que coisa esquisita". Achei muito estranho. O carro era muito velho... e mofado! Olhei logo para o motorista, que já estava arrancando com o carro, para me certificar que realmente era um táxi. Será?
O motorista era magro, cabelo grande, parecia o pateta "Lary". - Lembra dele? Eu estava cada vez mais amedrontada, mas não tinha pra onde correr: Fiquei ali. Dura. Imóvel.
Informei o local aonde nós iríamos e imediatamente o "Lary" começou a conversar, como se fossemos amigos de longa data. Aí eu me encolhia cada vez mais no banco a grudava cada vez mais na porta, pronta para pular, caso fosse necessário.
- As coisas não tão fácil pra ninguém, né mesmo? Disse ele olhando pelo retrovisor e esperando que eu respondesse.
- Hã, hã! - Disse quase em um gemido. Fingindo estar extremamente interessada.
- A terra tá se acabando!
“Ai, meu Deus, me ajuda!”
- Sabe que eu fico pensando isso aí. – Disse “Lary” abrindo um sorriso que pretendo nem comentar.
“Que será que esse cara está pretendendo?”
- Eu penso que os homes tiram petróleo da terra, mas não pensam que tão destruindo a natureza. Né mesmo?
Dessa vez “Lary” não esperou minha resposta. E eu de olho nas ruas para ter certeza que eu estava indo para o local certo.
"Ah! Ainda bem que não falou em violência, porque eu já estou assustado o suficiente"
- É verdade! Disse eu para não contrariá-lo. Nunca se sabe!
- A senhora já tinha pensado nisso? Disse ele olhando para o retrovisor.
“E agora o que eu digo? E agora...Concordo ou não com isso?” E “Lary” lá, me olhando pelo retrovisor com aquela cara esquisita. Não tinha mais tempo. Resolvi arriscar.
- Não! Não tinha não, mas sabe que isso pode ser verdade. – Respondi e fiquei observando qual a reação dele. “Vai que ele começa a espumar!” (continua no post abaixo...)
Escrito por Nilsa M. Souza às 08h27
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