Por Nilsa Maria de Souza
Quem nunca ficou em uma sala de espera? Por exemplo: sala de espera de um consultório médico. Você fica lá! Parado! Esperando... e quando entra um paciente, que não é você. na sala do médico, logo vem à sua mente: “Será que esse cara vai demorar?”; E quando demora você pensa: “O que será que ele tanto faz lá dentro?”; Ou pior: “Porque esse médico não atende mais rápido?”.
Também com esse nome “paciente”, só podia ser mesmo para nos induzir a ter paciência. Haja paciência!
E os seus companheiros de espera? Tem aquele que entra com aquela cara de que está perdido. Olha em volta, observa tudo devagar e se encaminha lentamente para a recepcionista, que já está olhando pra ele e pensando: “Nossa que cara esquisito, será que ele vai falar ou quer que eu adivinhe!”. Antes mesmo dele chegar à mesa ela grita:
- Pois não?
O coitado parece querer entrar num buraco e se esconder. Ele faz um esforço, se achega para bem perto da mesa, debruça nela e solta um fio de voz:
- Dr. Ciro?!?!?!?!?
Coitado!
Tem aquele que traz os filhos. Uma beleza! Uma vez tive a oportunidade de me deparar com um desses. Sabe aquela sala com musica tipo “Enya”? A sala fica tão silenciosa que quase dá para ouvir a respiração do paciente ao lado? Era assim. Tudo tranqüilo, mas de repente entra porta adentro uma senhora com seus gêmeos de mais ou menos 6 anos. Um deles atropela a mãe e entra pela sala como um furacão. Mexe em tudo que vê pela frente, seguido por seu irmão que tenta imitá-lo em tudo. Eu estava só olhando de rabo de olho, fingindo que aquilo tudo não estava acontecendo. E a mãe dizia de lá:
-Fica quieto menino, se não a mamãe vai embora!
O garoto não ouvia uma palavra e continuava na sua busca insana pela sala.
- Mãe, onde é o banheiro? Eu QUERO i no banheiro. Mãe, eu quero i no banheiro. – Dizia o garoto aos gritos.
Nisso o garoto já havia percorrido todos os cantos da sala, só faltava entrar no consultório médico e pedir para ir ao banheiro.
Numa dessas passagens pelo lado esquerdo da sala, vira para o paciente, no caso eu, que estava tentando me concentrar na leitura do livro, e diz:
- Eu já fui neste lugar!
-Que??? Que lugar? – Disse eu sem entender.
- O lugar desse quadro!
Tinha mesmo um quadro pendurado na parede acima da minha cabeça, mas eu nem tinha notado. Fingi que olhei o quadro:
- É?!?! – Disse eu com um sorriso sem graça. Na verdade eu queria dizer: “Cala a boca e sai já daqui, moleque!”
Tem um tipo genial. Entra com cara de bravo, parece que acabou de acordar ou chupou limão, sei lá...Fica impaciente se a recepcionista não o atende logo. Dá pra ver, porque ele não pára de chacoalhar a perna. Quando a recepcionista o libera, vai rapidamente para a cadeira, se encosta e em poucos minutos está dormindo tranqüilamente como se estivesse no sofá da casa dele. Pode?!?! Bem, tenho que confessar que já passei por isso.
Tem também aquele que vira pro paciente ao lado e pergunta:
- Faz tempo que você chegou?
-Não.- Responde o paciente sem muita vontade de conversar.
- Nossa! Eu peguei um transito para chegar aqui. Tive que ir primeiro pegar uns exames. Sabe o que é, o médico falou que suspeita que eu estou com...
E aí a história não tem fim. Todos os “esperandos” ficam conhecendo a história, pois esse tipo faz questão de olhar para os lados para certificar-se que todos estão ouvindo a história.
- Dona Nilsa?
- Sim.
- Pode entrar.
“Já era hora de me chamarem!”