Eu amo o Carnaval!
Por Nilsa Maria de Souza
Ao retornar para o trabalho em plena quarta-feira de cinzas, me deparo com aquela pergunta clássica:
- Oi, tudo bem?
- Tudo. E você?
- Estou ótima. O carnaval foi ótimo. – Respondo eu otimistamente.
- Que eu saiba você não gosta de carnaval. – Disse minha amiga.
- E realmente não gosto. Mas convenhamos, mesmo os indivíduos que detestam o carnaval, sonham com ele. Afinal trabalhar pra quê?
- Pensando por esse lado... ainda bem que tem muita gente que gosta de carnaval. Assim eu posso ficar 4 dias e meio em casa. Isso é o máximo. Precisamos festejar.
Eu tenho certeza que ela já havia pensado nisso em casa. Em festejar. Ou chorar a “perda” dos dias que se foram (dias de carnaval). A realidade era dura. Tínhamos que trabalhar. A “festa” estava planejada, pois na mesinha do café havia biscoitos, bolos e café. Café com leite!
Enquanto eu me achegava, meio sem graça, pois depois de tanta comilança, eu precisava voltar à dieta, aparecem mais alguns convidados. Hum! Agora tenho certeza que a festa tava combinada.
- Que delicia! Eu adoro este bolo. – Disse eu muito eufórica enquanto pensava “como é que eu vou sair daqui sem comer este bolo?”
- Quer que eu corte um pedaço pra você? – Disse alguém.
- Não! – Disse quase que gritando. – Sirva os outros primeiro.
Peguei um cafezinho para disfarçar e comecei a tomar bem devagarinho. E aí fiquei prestando atenção na conversa. Cada um com suas histórias carnavalescas para contar.
- Eu fiquei em casa. Minha filha ficou doente e tive que sair correndo para o hospital. - Disse um.
- Já eu me diverti bastante. Fui para a praia. Tava cheio, mas foi legal. – Disse o outro.
- Eu também fui pra praia, mas não deu nada certo! Minha irmã teve convulsão tivemos que levar ela pro hospital. Ela tava com anemia. Minha mãe ficou nervosa e a pressão subiu! Cêis acham que eu ia pra praia e ia deixá as duas lá?
“Nossa! Eu disse que carnaval é para ficar em casa, descansar, passear e não ter problema. Será que alguém aqui se divertiu?”
Pelo visto nossa “festa” estava indo de mal a pior. Esse papo não tava muito legal. Era melhor alguém mudar de assunto.
- Credo! Vocês ficaram em casa para descansar ou para ter problema? Vamos falar de coisas mais alegres? – Disse a Ana.
“Será que ela leu meu pensamento?” - Todos riram, seguidos de um silêncio ensurdecedor.
- Come um pedaço do bolo. Está uma delicia! – Disse Miriam para mim.
- Hem! Justo eu? – “Ops! Acho que pensei alto demais.”
Risos. Ufa! Alguém pegou o bolo na minha frente. Que alívio!
- Olha a gula! – Alguém gritou.
- Já que não podemos falar, vamos comer! – gritou outro.
Eu achei ótimo. Fui saindo de fininho, enquanto tava aquele bochicho.
- Onde você pensa que vai? – Alguém bradou quando eu já estava na porta.
- Estou com sede. Vou tomar água! – Disse, sem muita convicção.
Quem sabe esqueceriam de mim e quem sabe minha dieta sobreviveria pelo menos uma manhã. Tomara!
Ah! O carnaval! Eu amo o carnaval! É..., mas tudo que é bom dura pouco. E viva o ÓCIO!
Escrito por Nilsa M. Souza às 12h00
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